Festival internacional de cinema em Belém homenageia 40 anos do Vídeo nas Aldeias
· Sarah Carvalho / Estado do Pará Online
Belém recebe, entre os dias 15 e 21 de outubro, a sétima edição do Festival Internacional de Cinemas dos Povos (FIFEP), que terá como destaque a celebração dos 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, referência na história do cinema indígena brasileiro. A programação será realizada no Cine Líbero Luxardo, com entrada gratuita.
Neste ano, o evento também marca uma nova fase ao adotar o nome Festival Internacional de Cinemas dos Povos, mantendo a sigla FIFEP. Criado em 2017 como Festival Internacional do Filme Etnográfico do Pará, o festival amplia sua proposta para reconhecer a diversidade de perspectivas, linguagens e processos de criação presentes nas produções audiovisuais de diferentes povos e comunidades.
Ao longo de sete dias, o público poderá acompanhar 32 filmes selecionados para duas mostras competitivas, além de sessões especiais, homenagens, oficinas, masterclasses e debates com realizadores e convidados.
Festival homenageia quatro décadas do Vídeo nas Aldeias
A principal homenagem desta edição celebra os 40 anos do Vídeo nas Aldeias, iniciativa criada em 1986 que contribuiu para ampliar a participação dos povos indígenas na produção audiovisual brasileira.
O projeto começou com o uso de câmeras nas aldeias e a exibição das imagens para as próprias comunidades. Com o passar dos anos, desenvolveu atividades de formação e produção de filmes, contribuindo para que cineastas indígenas assumissem o protagonismo na escolha dos temas, das narrativas e das formas de representar suas próprias histórias.
A homenagem, intitulada “As imagens continuam respirando”, pretende revisitar essa trajetória e discutir as transformações nas relações entre quem filma, quem aparece nas imagens e quem decide como essas produções serão compartilhadas.
Entre os convidados relacionados à história do projeto estão Vincent Carelli, idealizador do Vídeo nas Aldeias, Tita, Ana Carvalho e Rita Carelli. Também participarão os cineastas indígenas Divino Tserewahú e Kamikia Pentotxi Trumai Kisedje, além de Ailton Krenak, convidado especial.
Mostras competitivas reúnem 32 filmes
A programação competitiva será dividida em duas categorias. A Mostra Competitiva do Prêmio Divino Tserewahú de Cinema Indígena contará com 15 filmes, sendo dois longas-metragens, seis médias e sete curtas.
Já a Mostra Competitiva do Prêmio Jean Rouch de Cinema Etnográfico terá 17 produções, distribuídas entre quatro longas-metragens, seis médias e sete curtas.
As mostras reúnem obras de diferentes durações, linguagens e origens, contemplando tanto produções realizadas por cineastas indígenas quanto filmes ligados à antropologia visual e às experiências de diferentes comunidades.
Os trabalhos selecionados serão exibidos durante o festival e avaliados pelos júris das respectivas competições.
Programação inclui oficinas e debates
Além das sessões de cinema, o VII FIFEP promoverá atividades formativas e encontros com realizadores. A programação inclui oficinas, masterclasses e debates sobre temas como produção audiovisual, preservação de arquivos, relações entre cinema e território e circulação de filmes.
A proposta é aproximar o público dos processos de criação e ampliar o diálogo sobre as diferentes formas de produzir e compartilhar imagens.
Com a nova identidade e a homenagem ao Vídeo nas Aldeias, o festival busca destacar a diversidade dos cinemas dos povos e fortalecer o espaço de produções que nem sempre encontram lugar nas salas comerciais.
Serviço
VII FIFEP — Festival Internacional de Cinemas dos Povos
Data: 15 a 21 de outubro de 2026.
Local: Cine Líbero Luxardo, em Belém (PA).
Entrada: gratuita.
Programação: mostras competitivas, sessões especiais, homenagens, oficinas, masterclasses e debates.
Site: festivaldopara.com.br.
Fonte: Estado do Pará Online, por Sarah Carvalho. Publicação original: 13/10/2026 às 17:21.
Foto: Imagem da publicação de Estado do Pará Online (autoria não identificada automaticamente).