Hospital faz alerta e atendimento infantil pode parar em Belém
· João Paulo Bastos / Ver-o-Fato
O Hospital Pio XII, localizado no bairro da Campina, em Belém, divulgou uma carta aberta à população alertando para o risco de comprometimento da continuidade da assistência pediátrica prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade, que atende exclusivamente crianças da capital paraense, afirma enfrentar dificuldades financeiras e contratuais que estariam colocando em risco a manutenção dos serviços.
Com quase 54 anos de atuação no atendimento pediátrico pelo SUS, o Hospital Pio XII dispõe de 70 leitos de internação e oferece atendimento de urgência pediátrica 24 horas. Segundo a direção da instituição, a continuidade desse serviço está ameaçada em razão de problemas relacionados ao contrato com a Prefeitura de Belém, à remuneração pelos atendimentos e aos pagamentos pendentes.
De acordo com o hospital, o contrato firmado com a Prefeitura de Belém em 2016 está vencido desde 2022 e, desde então, não foi realizado um novo chamamento público pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém foi procurada para se manifestar sobre as informações apresentadas na carta aberta, incluindo a situação do contrato, os pagamentos pendentes, a previsão de novo chamamento público e a denúncia envolvendo um servidor da pasta. A reportagem será atualizada caso a Sesma encaminhe posicionamento.
A direção do hospital afirma que a inexistência de um contrato vigente dificulta o acesso da instituição a linhas de crédito e a recursos complementares, além de apontar uma defasagem na remuneração recebida pelos serviços prestados ao SUS.
Na carta aberta, o hospital declara:
“Um cuidado construído ao longo de gerações, cuja continuidade está seriamente ameaçada. O problema não é só a falta de pagamento. É a ausência de condições para continuar atendendo. Nosso contrato com a Prefeitura de Belém, celebrado em 2016, está vencido desde 2022, sem novo chamamento público pela SESMA. Há quatro anos, atendemos pelo SUS sem contrato vigente, o que impede o acesso ao crédito e a recursos complementares”.
A instituição também informa que recebe atualmente R$ 8 por dia para custear as despesas de cada acompanhante de paciente internado. Conforme a direção, esse valor deve cobrir gastos com alimentação, roupas de cama, banho, água e energia.
Pagamentos pendentes chegam a R$ 1,8 milhão
Outro ponto destacado na carta aberta diz respeito aos pagamentos pendentes por parte da Prefeitura de Belém. Segundo o Hospital Pio XII, desde 2025 a administração municipal mantém mais de R$ 1 milhão em repasses pendentes, montante que teria alcançado R$ 1,8 milhão em junho de 2026.
A direção informa que, diante da situação financeira, a instituição precisou reduzir sua capacidade de atendimento em maio deste ano. A medida, segundo o hospital, foi comunicada oficialmente à Prefeitura de Belém.
Na ocasião, conforme já havia sido noticiado pelo Grupo Liberal, o número de leitos de internação foi reduzido de 70 para 20. Além disso, o volume mensal de atendimentos na urgência caiu de aproximadamente 1.200 para quase 400.
Ainda segundo a carta, em julho deste ano o hospital regularizou suas pendências tributárias após confiar no compromisso assumido pela Prefeitura de Belém perante o Ministério Público de realizar um novo chamamento público. A expectativa da direção era de que o procedimento ocorresse em agosto, mas, segundo o documento, isso ainda não aconteceu.
A direção afirma ainda:
“Apesar de nossas tentativas, seguimos sem conseguir estabelecer um diálogo efetivo com a Prefeitura para construir uma solução. Não pedimos privilégios. Reconhecemos nossas responsabilidades e queremos continuar corrigindo problemas e melhorando a assistência. Mas, sem segurança contratual, remuneração adequada e pagamentos regulares, a continuidade desse serviço fica comprometida”.
Denúncia de extorsão
A carta aberta também menciona uma denúncia envolvendo o diretor executivo do Hospital Pio XII, Thiago Redig. Segundo o documento, ele afirma ter sido vítima de extorsão praticada por um servidor da Secretaria Municipal de Saúde de Belém.
De acordo com a direção do hospital, o caso está sendo investigado pelo Ministério Público e pela própria Sesma. Ainda conforme a instituição, a situação já teria causado prejuízos superiores a R$ 300 mil ao longo de três meses.
Ao final da carta, o Hospital Pio XII reforça a necessidade de segurança contratual, remuneração adequada e regularidade nos pagamentos para garantir a continuidade da assistência pediátrica prestada pelo SUS. A direção também faz um apelo ao prefeito de Belém, Igor Normando, para que seja aberto um diálogo com a instituição, sejam regularizados os pagamentos pendentes e repactuadas as condições da assistência oferecida.
A mensagem é concluída com a seguinte afirmação:
“Está em risco não apenas o futuro de um serviço essencial para milhares de crianças e famílias de Belém”.
Há cerca de 50 anos, o Hospital Pio XII atende exclusivamente crianças pelo Sistema Único de Saúde. Especializado em pediatria clínica, a unidade, localizada na avenida Assis de Vasconcelos, presta assistência principalmente a pacientes dos bairros mais populosos da capital paraense, como Jurunas, Terra Firme e Guamá.
Texto: Ver-o-Fato, por João Paulo Bastos. Publicação original: 15/10/2026 às 09:25.
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