Limão dispara 50% em Belém e acumula alta de quase 90% em um ano, aponta Dieese
· Luiz Flávio / Diário do Pará
O limão foi o grande vilão da inflação das frutas em Belém durante setembro de 2026, com aumento de 50% em apenas um mês e valorização acumulada de 88,53% nos últimos 12 meses. Os números fazem parte de pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), que identificou redução nos preços de sete das 13 frutas pesquisadas em feiras livres e supermercados da capital paraense.
Apesar da disparada do limão, setembro apresentou um cenário de alívio para parte dos consumidores. Pela segunda vez neste ano, a maioria das frutas acompanhadas pelo levantamento registrou queda de preços na comparação mensal. Entretanto, o resultado ainda não foi suficiente para compensar os reajustes anteriores, já que dez dos 13 produtos analisados continuam mais caros tanto no acumulado de 2026 quanto na comparação com setembro de 2025.
O quilo do limão, comercializado a R$ 7,78 em agosto, chegou a R$ 11,67 em setembro. Em dezembro do ano passado, o produto custava R$ 7,19, o que representa aumento de 62,31% em nove meses. A comparação anual é ainda mais expressiva: em setembro de 2025, o preço médio era de R$ 6,19.
Queda nos preços de outras frutas
Entre as frutas que ficaram mais baratas em setembro, o melão amarelo liderou as reduções, com queda de 3,96%, passando de R$ 7,82 para R$ 7,51 o quilo. A melancia apresentou recuo de 3,02%, chegando a R$ 4,17, enquanto o mamão ficou 2,04% mais barato, sendo vendido a R$ 8,64.
Também apresentaram redução o abacaxi (-1,55%), a acerola (-1,42%), a tangerina (-1,34%) e a banana-prata (-1,30%). Os preços médios desses produtos chegaram, respectivamente, a R$ 8,89 a unidade, R$ 9,75, R$ 10,27 e R$ 9,11 o quilo.
Na contramão das quedas, a goiaba vermelha apresentou a segunda maior alta mensal, de 5,01%, seguida pela laranja-pera, com 4,42%. Também ficaram mais caras a manga rosa (1,22%), o maracujá (1,03%) e o abacate (0,80%).
Balanço da inflação acumulada
O balanço dos primeiros nove meses de 2026 mostra que a maioria das frutas ainda pesa no orçamento das famílias paraenses. Além do limão, a manga rosa registrou aumento de 23,07%, seguida pelo mamão, com 16,29%, e pela melancia, com 11,50%.
Outros seis produtos apresentaram reajustes menores: abacaxi (2,66%), goiaba vermelha (2,28%), melão amarelo (2,18%), maracujá (1,89%), acerola (0,93%) e banana-prata (0,33%).
A maior redução acumulada ocorreu no abacate, cujo preço caiu 47,43% entre dezembro de 2025 e setembro de 2026. O quilo passou de R$ 16,70 para R$ 8,78. A tangerina também ficou mais barata, com queda de 15,33%, enquanto a laranja-pera registrou recuo de 8,42%.
Comparativo anual e impacto do clima
Nos últimos 12 meses, a acerola aparece na segunda posição entre as maiores valorizações, com aumento de 20,67%, seguida pela tangerina (18,32%), melão amarelo (15,18%), maracujá (13,70%) e manga rosa (12,15%).
Também registraram aumentos a goiaba vermelha (9,91%), o abacaxi (7,89%), a banana-prata (7,30%) e o mamão (3,35%).
Somente três frutas apresentaram redução na comparação anual: abacate (-6,70%), melancia (-6,08%) e laranja-pera (-3,11%). Os números mostram que o barateamento observado em setembro ainda representa um movimento isolado diante das elevações registradas nos meses anteriores.
Clima preocupa consumidores
Segundo avaliação do Dieese/PA, o aumento da produção durante os períodos de safra costuma ampliar a disponibilidade de frutas, favorecendo a redução dos preços e estimulando o consumo. Entretanto, custos de transporte, condições climáticas, origem dos produtos e funcionamento das redes de abastecimento também influenciam os valores finais.
O órgão chama atenção para os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola na Região Norte. Temperaturas mais elevadas, estiagens e irregularidade das chuvas podem prejudicar o desenvolvimento das culturas, reduzir a produtividade e aumentar os gastos com irrigação.
Esses fatores podem comprometer o abastecimento e provocar novos reajustes, embora o Dieese ressalte que não é possível atribuir diretamente ao fenômeno climático os aumentos identificados na pesquisa.
A continuidade da redução dos preços dependerá, principalmente, das condições de produção e distribuição nos próximos meses. Para os consumidores de Belém, o cenário exige atenção, já que o alívio registrado em setembro ainda não representa uma reversão definitiva da trajetória de encarecimento das frutas.
Fonte: Diário do Pará, por Luiz Flávio. Publicação original: 19/10/2026 às 11:01.
Foto: Imagem da publicação de Diário do Pará (autoria não identificada automaticamente).