Política

MDB racha no 2º turno: 17 diretórios com Flávio, 10 com Lula

· Val-André Mutran / Ver-o-Fato

MDB racha no 2º turno: 17 diretórios com Flávio, 10 com Lula

Dez diretórios assinam carta em defesa da democracia e da continuidade de programas sociais, em reação à ala que apoia Flávio Bolsonaro

Brasília – Os diretórios do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em dez estados do Norte e do Nordeste divulgaram, nesta terça-feira (13), uma nota conjunta declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Assinaram o documento as representações de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. O movimento é uma reação direta à ala majoritária da sigla que anunciou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em evento em São Paulo no mesmo dia.

A divisão interna do partido

O MDB chega dividido à segunda rodada. Dez dos 27 diretórios estaduais fecharam com o petista, enquanto 16 estados e o Distrito Federal — totalizando 17 diretórios — alinharam-se ao candidato do PL, movimento articulado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) com o apoio do presidente da sigla, deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), ambos da ala majoritária; em contraponto ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), reunindo a ala minoritária da sigla.

O anúncio formal da ala pró-Flávio ocorreu nesta terça-feira (13), em São Paulo, o que motivou a antecipação da nota lulista. Em seguida, foi divulgado uma carta na qual dez diretórios decidiram apoiar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como resposta ao ato.

O ex-ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, eleito deputado federal na primeira volta da eleição, um dos primeiros líderes do MDB a se manifestar no domingo (4/10), após os votos apurados, explicou porque o MDB do Pará continua com Lula. Confira.

Os argumentos da carta pró Lula

No comunicado, os diretórios justificam o apoio em defesa “da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro” e citam a continuidade de políticas implementadas por Lula, como Bolsa Família, Farmácia Popular, Pé de Meia, Fies, ProUni, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida, Brasil Sorridente, Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Luz para Todos e a isenção do Imposto de Renda. O texto também afirma que o Brasil avançou em crescimento econômico, fortalecimento da indústria e recorde de exportações.

“Nosso posicionamento reafirma o compromisso com o trabalho realizado. São obras que já saíram do papel e que não podem parar. Interromper esse ciclo agora seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando.”

Partido rachado

A divisão ocorre após o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, afirmar, em 5 de outubro, que a sigla manteria liberdade para que suas lideranças escolhessem entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. O cenário, portanto, não representa uma decisão nacional única, mas um racha regional: as regiões Norte e Nordeste, tradicionalmente mais alinhadas ao PT, ficaram com o petista, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste pendem para o candidato do PL.

Peso eleitoral

O apoio dos dez diretórios tem relevância simbólica e prática. O Norte e o Nordeste concentram parte expressiva do eleitorado que historicamente favorece o PT, e a adesão formal de diretórios do MDB — partido com capilaridade municipal — pode facilitar a transferência de votos e a organização de palanques estaduais. A carta, ao citar programas sociais e obras em andamento, busca ancorar a decisão em uma narrativa de continuidade de políticas públicas, o que pode influenciar a percepção de eleitores que valorizam esses programas.

A armadilha de leituras simplistas

A divisão do MDB indica que o apoio não é homogêneo nem automático, e que a sigla atua como um partido de coalizão fragmentado, com alas em campos opostos. O fato de a maioria dos diretórios (17) ter se alinhado a Flávio Bolsonaro mostra que a adesão lulista, embora relevante, é minoritária dentro da legenda. Além disso, declarações formais de diretórios não necessariamente se traduzem em votos, e a eficácia da mobilização dependerá da capacidade de converter o apoio em ação de campanha nas bases.

Cenários

Caso a mobilização convocada pelos diretórios se concretize em carreatas e atos, o MDB pode ampliar a presença petista em estados-chave do Norte e Nordeste. Por outro lado, a coexistência de alas opostas dentro do mesmo partido pode gerar atritos internos e mensagens contraditórias ao eleitor. O desfecho dependerá, em grande medida, do desempenho da campanha nos próximos dias e da capacidade de cada ala de mobilizar suas bases até o dia 25.

Val-André Mutran é repórter especial do Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.

Fonte: Ver-o-Fato, por Val-André Mutran. Publicação original: 13/10/2026 às 19:45.

Foto: Imagem da publicação de Ver-o-Fato (autoria não identificada automaticamente).