Cidades

O que os fiéis esperam do Círio 2027? Após edição deste ano, redes sociais viram lista de cobranças

· Emanuel Maciel / Ver-o-Fato

O que os fiéis esperam do Círio 2027? Após edição deste ano, redes sociais viram lista de cobranças

Passada a quadra do Círio de Nazaré 2026, o que ficou nas redes sociais não foi só devoção, mas uma enxurrada de sugestões para o próximo ano. Em publicações, centenas de comentários apontam os mesmos problemas e cobram mudanças da Diretoria da Festa e da Prefeitura de Belém para 2027.

O ponto mais citado é o som.

1. Volume e repertório Para muitos, o “som alto demais” atrapalhou o recolhimento. “O volume ensurdecedor atrapalha o recolhimento e pode impedir que se ouçam pedidos de ajuda. É quase impossível alguém rezar”, resume uma das postagens, que teve mais de 400 curtidas.

Nos comentários, a queixa se repete: “Música secular ouvimos o ano inteiro. Mas nas procissões queremos ouvir músicas religiosas”, escreveu uma internauta. Ela relata que na Trasladação uma cantora cantava “Ai que saudade de oce” e foi vaiada. “Precisamos tomar cuidado para não desespiritualizar o Círio. Ele é religioso em sua essência e não é Carnaval de Salvador.”

Outra cobrança direta foi para o hotel Grand Mercure Belém, acusado de manter “MÚSICA ALTÍSSIMA” e gritaria no microfone no sábado, durante a passagem da Santa. A volta do sistema de sonorização com programação litúrgica da TV Nazaré em todo o percurso é a proposta mais repetida, com 350 curtidas em um comentário.

2. Corda e segurança dos promesseiros O rompimento da corda e a forma como é conduzida também geraram revolta. Pedidos como “mudar a corda e por mais água”, “trocar o fabricante da corda” e “tentar uma estação só para as mulheres” apareceram.

Um dos comentários mais curtidos, com 696 likes, critica a mistura de homens e mulheres do mesmo lado: “Muitos se aproveitam e passam a procissão toda se esfregando nelas com intenção sexual. Antes era um lado para cada sexo e não havia problema.”

Outros apontam desorganização geral: “Onde tá os investimentos pro Círio? O que o exército estava ‘protegendo’ na E1? Fizeram um círculo sem nada dentro, não chegou água na corda da Basílica até o Paysandu, isso é desumano”, escreveu uma seguidora. Relatos citam ainda assédio, homofobia, falta de segurança e ausência de banheiros químicos e ônibus 24h.

3. Berlinda, arquibancadas e estrutura Uma lista organizada por uma usuária resume bem o clima:

  • Em volta da berlinda só pode ir bispo, padre, diretores
  • Arquibancadas deixarem de ser lote vendido para empresas
  • Fim da disputa de ego das caixas de som
  • Diretoria parar de correr e de cortar a corda para apressar o cortejo
  • Voltar às caixinhas de som com cânticos e rezas

Ela lembra 2004, quando Dom Carlos não deixou cortar a corda e a berlinda chegou 4h da tarde sem reclamação do povo: “Só da diretoria”.

Outras sugestões práticas apareceram: iluminar a Praça Dom Pedro, que ficou no escuro na Trasladação, corrigir calçadas e asfaltos com valas enormes, garantir fechamento das vias transversais ao percurso, orientação no trânsito, retirar barracas e ambulantes do meio da via e organizar os vendedores de churrasquinho, além de cada fiel levar sacola para lixo.

O tom geral é de quem ama a festa, mas teme que ela perca o sentido religioso. Como resumiu uma fiel: “Não se ouve mais a procissão e com isso há muitas conversas aleatórias tirando o sentido da procissão.”

Fonte: Ver-o-Fato, por Emanuel Maciel. Publicação original: 13/10/2026 às 09:12.

Foto: Imagem da publicação de Ver-o-Fato (autoria não identificada automaticamente).