PARAUAPEBAS: Enquanto escola segue paralisada, prefeitura empenha R$ 110 mil para eletricidade do gabinete
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Enquanto crianças da EMEF Domingos Cardoso amargam quase dez dias sem aulas por pane na fiação e base governista barra explicações da Semed, prefeitura destina valor expressivo para modernizar energia no gabinete do prefeito
A escala de prioridades da gestão do prefeito Aurélio Goiano voltou a provocar forte indignação em Parauapebas. Na mesma data em que a bancada de sustentação do governo na Câmara Municipal manobrou para impedir a convocação da secretária de Educação sobre problemas em escolas, a edição do Diário Oficial desta terça-feira (13 de outubro) trouxe a formalização de uma reforma elétrica completa no gabinete do próprio chefe do Executivo, orçada em R$ 109.955,46.
O contraste ganha contornos dramáticos diante da crise vivenciada pela comunidade escolar da EMEF Domingos Cardoso da Silva, no polo Alto Bonito/Casas Populares. A escola segue com as portas fechadas e alunos sem aulas há quase dez dias devido a um colapso em suas instalações elétricas, problema que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) ainda não resolveu.
Reforma de luxo para a ‘unidade máxima’
A formalização do serviço consta na Portaria nº 123/2026 – Gabinete (Protocolo 51999), assinada pelo chefe de gabinete, Genésio da Silva Filho, que designou os servidores Dave Macleany Santos Gomes e Jessica Danilly Lacerda Mota como fiscais do Contrato nº 20261037.
O contrato foi firmado com a empresa Construinfra Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 24.709.082/0001-06), com vigência de 60 dias e valor exato de R$ 109.955,46.
O objeto da contratação detalha serviços de engenharia de alto padrão destinados à:
“Reestruturação integral e modernização do sistema de distribuição de energia elétrica do Gabinete do Chefe do Poder Executivo (…); compreendendo a substituição de quadros de distribuição, cabeamento, dispositivos de proteção, eletrocalhas e sistemas de aterramento (…) visando eliminar riscos críticos de sinistros (…) e garantir a continuidade operacional da unidade máxima da Administração Municipal”.
Dois pesos e duas medidas
A justificativa técnica utilizada para gastar quase R$ 110 mil no gabinete — “eliminar riscos críticos de sinistros” e “garantir a continuidade operacional” — é exatamente o que falta nas unidades escolares do município.
Na manhã desta terça-feira, enquanto o Diário Oficial estava sendo redigido com o empenho para o prédio do gabinete, pais e estudantes da EMEF Domingos Cardoso protestavam no plenário da Câmara Municipal contra os problemas que paralisaram as turmas. Dias antes, outro escândalo chocou a cidade: crianças da EMEF Eurides Santana foram filmadas tendo aulas no chão batido, debaixo de uma árvore, porque as centrais de ar queimaram devido à fiação precária.
Para o gabinete do prefeito, a solução foi imediata, com dispensa de economias e contratação de ponta a ponta. Para os milhares de alunos da rede pública que enfrentam salas superaquecidas e paralisações, a resposta do governo foi mobilizar oito vereadores aliados para calar o debate e barrar a ida da secretária Maura Paulino ao parlamento.
O Portal Pebinha de Açúcar mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Parauapebas e da chefia de Gabinete sobre os critérios de urgência adotados nos gastos públicos.
Fonte: Pebinha de Açúcar, por Portal Pebinha de Açúcar. Publicação original: 13/10/2026 às 18:06.
Foto: Imagem da publicação de Pebinha de Açúcar (autoria não identificada automaticamente).