Paysandu pagou R$ 3,6 milhões em dívidas antigas em 2026
· Kaio Rodrigues / Estado do Pará Online
O processo de reorganização financeira do Paysandu foi um dos principais temas da primeira entrevista coletiva da diretoria após o não acesso à Série B. Na noite desta segunda-feira (19), na Curuzu, o presidente Márcio Tuma revelou que o clube pagou R$ 3.615.811,62 em débitos anteriores durante 2026, mesmo em meio ao processo de recuperação judicial.
Ao lado dos vice-presidentes Ícaro Sereni e Diego Moura, o dirigente apresentou os números como parte do esforço para reorganizar as contas bicolores. Tuma também afirmou que a expectativa da gestão é encerrar o ano com receitas superiores às despesas, cenário que classificou como histórico para o clube.
“Temos um número aqui que talvez possa ter algum ajuste, mas é um número consistente. Nós pagamos esse ano, mesmo com a recuperação judicial, R$ 3.615.811,62 em valores que foram pagos, seja antes do deferimento da recuperação judicial, seja em valores de tributos fiscais que não entram na recuperação judicial”, declarou.
O presidente explicou que os desembolsos estão relacionados a obrigações financeiras que continuaram exigindo pagamentos durante a gestão. Segundo ele, a reorganização do Papão passa necessariamente pelo enfrentamento de compromissos acumulados ao longo do tempo.
“São esses valores que o Paysandu precisa pagar. Foram quase R$ 4 milhões que saíram do caixa do clube para pagamento de débitos pretéritos. E isso faz parte. Quando a gente assume o clube, a gente sabe da situação e temos a coragem para estar à frente, com muita dedicação e honestidade, para fazer o melhor ao longo prazo para o clube”, afirmou.
Equilíbrio financeiro mesmo sem o acesso
A diretoria também apresentou a expectativa de fechar 2026 com resultado positivo entre arrecadação e despesas. Tuma ressaltou que a manutenção do equilíbrio financeiro não impediu investimentos em estrutura e contratações, mas exigiu planejamento para distribuir os recursos ao longo da temporada.
“Creio que são dados históricos: vamos encerrar o ano com mais arrecadações do que despesas. Não tenho memória de a gente ter tido um resultado de um ano em que tivemos mais arrecadação do que gastos”, disse.
O dirigente explicou que o fluxo de receitas do clube não é uniforme durante o calendário. Por isso, segundo ele, a entrada de valores mais elevados em determinados períodos não significa que todo o dinheiro esteja disponível para investimentos imediatos no elenco.
Como exemplo, citou o pagamento integral do patrocínio anual do Banpará, cuja receita foi reservada para compromissos previstos nos meses seguintes.
“A gente sabia que neste momento da temporada teríamos rescisões de atletas e comissão técnica, teríamos meses em que temos que honrar os salários sem ter jogos”, explicou.
Tuma sustentou que o planejamento buscou garantir condições para o cumprimento das obrigações financeiras e a preparação para a próxima temporada.
“Todo o planejamento do Paysandu foi feito não para ficar com dinheiro em caixa, mas, sim, para conseguir pagar as contas necessárias, mesmo no período de inatividade, e começar o ano de 2027 com o valor para que possamos investir no time, no plantel”, afirmou.
Recuperação judicial e planejamento para 2027
A necessidade de administrar os recursos também foi utilizada pelo presidente para responder às críticas sobre o volume de contratações realizado ao longo da temporada. A diretoria defende que a cautela financeira faz parte de uma estratégia para evitar que o clube volte a enfrentar dificuldades semelhantes às encontradas no início da gestão.
Tuma afirmou que a intenção é manter o controle sobre receitas e despesas, sem abandonar os investimentos considerados essenciais para a evolução esportiva e patrimonial do Paysandu.
“É assim que acontece em qualquer empresa, e a gente não abre mão. Temos tudo isso ‘planilhado’, a gente tem esse controle e temos esse orgulho de encerrar o ano com o cenário positivo, respeitando as finanças do Paysandu e estruturando”, declarou.
O presidente ainda relacionou a reorganização financeira à necessidade de construir um projeto sustentável, capaz de oferecer melhores condições ao futebol profissional e às categorias de base.
Na avaliação dele, o clube precisa pensar além de uma única temporada, mesmo diante da pressão por resultados imediatos.
“A gente precisa ter um norte, e a convicção é que o Paysandu precisa se estruturar. Não é subir a qualquer custo”, afirmou.
A fala resume o principal argumento apresentado pela diretoria após a frustração do acesso: a gestão pretende conciliar competitividade e responsabilidade financeira. O desafio para 2027 será transformar o equilíbrio das contas em capacidade de investimento e, principalmente, em resultados que aproximem o Paysandu do retorno à Série B.
Fonte: Estado do Pará Online, por Kaio Rodrigues. Publicação original: 19/10/2026 às 20:45.
Foto: Imagem da publicação de Estado do Pará Online (autoria não identificada automaticamente).