Flagrado fraudando energia, vereador de Brejo Grande agora luta para não perder o mandato
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O vereador Jessé Costa Pereira, o Teté (PT), foi preso em flagrante no dia 15 de abril deste ano com o medidor de energia elétrica de sua casa adulterado. A perícia oficial identificou que o equipamento havia sido manipulado para registrar pouco menos da metade do consumo real — e que alguém havia aberto o aparelho, mexido nas peças internas e tentado esconder o estrago com cola.
O que a perícia encontrou
Os técnicos que examinaram o medidor encontraram um quadro sem ambiguidade: uma das fases do aparelho simplesmente não registrava consumo. O resultado prático era que 51,90% da energia consumida no imóvel não aparecia na conta.
Além disso, o laudo identificou sinais de uso de pulso eletromagnético — uma técnica conhecida no meio como PEM, usada especificamente para travar o mecanismo de contagem de medidores sem destruí-los. E havia cola dentro do equipamento, o que indica que alguém abriu, mexeu e tentou fechar de volta sem deixar rastro.
Para os peritos, não existe explicação técnica que não passe por intervenção humana deliberada. Defeito espontâneo não produz esse conjunto de evidências.
Na prática: pagava menos da metade
O esquema era simples no resultado, mesmo que sofisticado na execução. O imóvel consumia energia normalmente. A conta chegava com pouco mais de 48% do valor real. A diferença ficava no bolso.
E não era algo que precisava ser refeito todo mês. Uma vez instalado o mecanismo, ele funcionava sozinho — mês após mês, fatura após fatura.
Como chegou à prisão
A Polícia Civil autuou o vereador por furto de energia elétrica, crime previsto no Código Penal. Mas, conforme o inquérito avançou, os investigadores passaram a considerar também o enquadramento por estelionato — porque a técnica usada não apenas subtrai energia, mas engana ativamente os sistemas de leitura da concessionária.
O processo tem auto de prisão em flagrante, boletim de ocorrência, depoimento do próprio vereador, testemunhos colhidos e laudo pericial. No dia seguinte à prisão, foi realizada audiência de custódia. Teté pagou fiança de R$ 3.000,00 e responde ao processo em liberdade.
Quem paga a conta
Fraude em medidor não é crime sem vítima. As distribuidoras de energia repassam as perdas por furto e fraude para a tarifa de todos os consumidores. Na prática, o valor que o fraudador deixa de pagar é dividido entre os vizinhos que pagam corretamente.

A Câmara vai decidir
Além do processo criminal, o vereador enfrenta um pedido formal de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. A denúncia foi protocolada na Câmara e enquadra a conduta como incompatível com a dignidade do cargo.
O argumento é direto: um vereador existe para fiscalizar o cumprimento das leis. Ser preso em flagrante por fraudar um serviço público, com prova técnica, coloca esse mandato em contradição com sua própria razão de existir.
O que a defesa diz
Teté declarou que o pagamento da fiança não é confissão de culpa — o que é juridicamente verdade. Fiança é uma garantia processual, não uma admissão.
O problema é que o argumento não responde ao laudo. Não explica a cola dentro do medidor. Não explica o pulso eletromagnético. Não explica por que metade do consumo sumia antes de virar fatura.